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A Polêmica da Mamografia

Luís Fernando Corrêa (Médico)

Última atualização: 25/01/2010

Uma mudança de recomendação quanto ao uso da mamografia para a prevenção do câncer de mama, emitida por uma força tarefa criada pelo governo norte-americano gerou polêmica e preocupação através do mundo.

Afinal quando as mulheres devem começar a fazer exames de mamografia? E o quanto isso pode trazer de benefícios ou problemas para elas?

A nova recomendação publicada recentemente indica que a mamografia é mais eficiente para as mulheres com idades acima dos 50 anos e que deve ser feita a cada 2 anos.
 
Essa recomendação contraria outra emitida pelo mesmo grupo há 7 anos atrás quando disseram que o ideal seria que as mulheres fizessem mamografias anuais a partir dos 40 anos de idade.

Vamos tentar colocar as coisas na perspectiva correta.

Quem está nessa Força Tarefa que está em evidência? 16 especialistas e professores universitários que têm a função de assessorar políticos, médicos e empresas particulares e redigir recomendações após revisão das evidências científicas disponíveis.

O que chama atenção nesse caso é que nenhum desses especialistas é oncologista ou trata de pacientes com câncer ou fazia parte do grupo que fez as recomendações há 7 anos.

Os Estados Unidos estão passando por um momento de reavaliação do seu sistema de saúde e de como será feito seu financiamento. Uma recomendação como essa pode significar uma “economia” de milhões de dólares.

A analise fria dos números até apóia a decisão da comissão de especialistas, aliás, representada por uma especialista em informática médica, a Dra Diana Petitti.

A avaliação é simplesmente matemática. As mamografias são mais eficientes na faixa etária dos 60 aos 69 anos, evitam 1 morte a cada 377 pacientes, comparado a 1 morte evitada para cada 1904 pacientes dos 40 aos 49 anos.

A dificuldade é que outros números não parecem tão interessantes para esses especialistas.

Uma pesquisa realizada pelo grupo de inteligência da revista The Economist, levantou que em 2009 o numero de casos de câncer de mama, no mundo todo deve chegar a 1 milhão e 300 mil casos, 10 % do total de casos de câncer no mundo. No Brasil 50 mil mulheres receberão esse diagnóstico em 2009.

Os tumores malignos de mama irão custar ao mundo quase 29 bilhões de dólares em 2009, somados os custos médicos, perda de produtividade e custos não-médicos do tratamento.

A detecção precoce tem melhorado esse quadro através das últimas décadas. De 1990 a 2003 a taxa de mortalidade pela doença caiu 24%, de 33,3 mortes por 100 mil mulheres para 25,2 mortes para 100 mil mulheres.

Os médicos que estudam os tumores malignos de mama acreditam que metade dessa redução deva-se à utilização da mamografia para detecção da doença.

As organizações internacionais que lidam com o câncer como a Associação Americana do Câncer Associação Americana de Radiologia e a Fundação Suzan G. Komen, divulgaram posição contra a mudança das atuais recomendações de mamografias a partir dos 40 anos.

No Brasil. o Instituto Nacional do Câncer, do Brasil, recomenda que a mamografia seja realizada, com um intervalo não maior do que 2 anos a partir dos 50 anos a não ser que a mulher tenha casos de tumor maligno de mama na família.

Em nosso país também, uma lei federal garante o direito à mamografia na rede do SUS as mulheres com mais de 40 anos.

Uma observação importante. Independente da qualidade ou motivação da conclusão da força tarefa norte-americana em nosso pais lidamos com uma população diferente, com perfil genético próprio e as observações de lá podem não se aplicarem aqui.

E o recado mais importante: toda mulher deve conversar com seu médico sobre a prevenção do câncer de mama e traçar a melhor estratégia para seu perfil de risco.

Não entre na triste estatística brasileira onde só conseguimos 10% de detecção precoce dos tumores dificultando o tratamento quando necessário.

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