Oncoguia

Pesquisa no site:

Pesquisa no site:

RSS

A- A+

Patrocínio

A Ressonância Magnética e o Câncer de Mama

Alice Garcia (Oncologista)

Última atualização: 24/01/2010

O câncer de mama é considerado o segundo tipo de câncer mais freqüente no mundo e o primeiro entre as mulheres. No Brasil não poderia ser diferente. As regiões com maior número de casos são respectivamente: Sudeste - 71 casos/100.000 mulheres; Sul - 69/100.000; Centro Oeste - 38/100.000 e Nordeste - 27/100.000. Segundo estimativa do INCA (Instituto Nacional do Câncer), com sede no Rio de Janeiro, em 2006 o Brasil deveria esperar 48.930 novos casos da doença, com um risco estimado de 52 novos casos a cada 100 mil mulheres.
 
A notícia boa é que nos Estados Unidos, nos últimos dez anos, a mortalidade decorrente do câncer de mama baixou 10% graças ao melhor conhecimento da doença, as campanhas para detecção precoce e aos métodos de diagnósticos mais eficazes disponíveis no mercado. No Brasil infelizmente isso só se aplica nos centros mais desenvolvidos, ainda muitas mulheres chegam para tratamento em estágios avançados da doença, diminuindo muito a possibilidade de cura.
 
Os métodos de diagnóstico não mudaram muito nos últimos anos. Alguns se tornaram mais eficazes, como por exemplo, a mamografia digital que é muito mais precisa que a convencional e consegue uma imagem bem mais fiel do tecido mamário. A ultrassonografia da mama complementa a mamografia quando há duvidas e recentemente contamos com mais uma arma poderosa, se bem utilizada, que é a ressonância magnética, que tem hoje indicações precisas, podendo ser utilizada sempre que preciso. É comum quando a mídia fala sobre algum avanço da medicina, os pacientes questionarem seus médicos sobre a possibilidade de fazer ou receber os considerados novos tratamentos ou exames.
 
Ocorre que nem sempre aquela novidade se aplica para todos os pacientes. Na medicina temos critérios de aplicação, indicações precisas, margens de segurança, contra indicações formais e efeitos colaterais. Por isso há que se confiar no médico para obter informações científicas precisas sobre o exame ou tratamento em questão. Na dúvida, sempre é bom ouvir a opinião de outro profissional para aumentar a segurança do paciente e seus familiares.
 
As diversas instituições que estudam o câncer de mama no mundo (EUA, Europa, Asia, etc), já têm definido um caminho a seguir para o diagnóstico precoce dessa doença. A suspeita de um câncer de mama envolve a interação entre vários profissionais como: ginecologista ou mastologista (suspeita do diagnóstico e cirurgia), radiologista (realiza exames de imagem cabíveis), patologista (analisa material retirado), oncologista clínico e radioterapeuta para escolher a melhor estratégia de tratamento para aquela paciente especificamente.
 
Aliás, esse é outro avanço do tratamento do câncer de mama. Cada vez mais se procura individualizar o tratamento baseado em nuances de exames oferecidos pelos laboratórios, de análise e de patologia que mostram características individuais daquele tumor que está sendo estudado, propiciando informações que ajudem a escolher o melhor tratamento para aquela paciente em questão. Hoje o diagnóstico de câncer de mama começa pela mamografia digital (se possível). As imagens serão classificadas segundo uma convenção internacional do Colégio Americano de Radiologistas como BIRADS (Breast Imaging Reporting And Data System), que é a análise de categorias da imagem que indica normalidade, comportamento benigno ou características de malignidade.

Sendo assim: 

BIRADS 1 - se trata de achado normal.
 
BIRADS 2 - achado benigno, aconselhando essas pacientes a repetirem o exame anualmente ou bianualmente.
 
BIRADS 3 - traz alguma dúvida, deve-se fazer um novo exame em intervalo mais curto que um ano.
 
BIRADS 4 - traz achados de carcinoma de mama não invasivo.
 
BIRADS 5 - traz todas as características de malignidade, significa que deve se intervir o mais rápido possível.
 
Sempre que o radiologista tiver qualquer dúvida em relação aos achados mamográficos, ele deve complementar o exame com ultrassonografia da mama e então discutir com o médico que acompanha a paciente o melhor meio de diagnóstico: punção com agulha, biópsia ou retirada do nódulo. O papel da ressonância magnética das mamas está em desenvolvimento e auxilia muito na investigação de doença em mamas muito densas, (estudos estão em andamento), e hoje se utiliza esse exame nessas pacientes, quando a mamografia traz alguma dúvida.
 
As indicações já estabelecidas para o uso desse exame na rotina, ficam com as mulheres consideradas de alto risco para desenvolvimento de câncer de mama ao longo da vida (risco maior que 20 a 25 %). Segundo a Sociedade Americana de Oncologia (Recomendações para realização de RM da mama – 2007), essas mulheres são as que possuem mutações nos genes BRCA 1 e BRCA2, medidos em laboratório de genética, mulheres com forte história familiar de câncer de mama ou de ovário (mãe e irmãs), e mulheres que já fizeram radioterapia em região torácica por outras doenças ao longo da vida, como por exemplo linfomas.
 
Sempre que houver uma suspeita de câncer de mama, principalmente em nódulos que são palpáveis, não se deve medir esforços para chegar ao diagnóstico seguro. É bom lembrar que punção negativa em nódulo palpável, não afasta tumor, devendo nesses casos se realizar uma nodulectomia (retirada do nódulo) para se ter certeza do diagnóstico. Talvez se ganhe uma pequena cicatriz para se provar um nódulo benigno, mas pelo menos, médico e paciente terão certeza de não terem subestimado uma doença onde o diagnóstico precoce significa cura definitiva, uma doença que assombra as mulheres do mundo inteiro. Nos dias hoje temos obrigação de vencê-la no primeiro round.

Saiba mais


A informação contida neste portal está disponível com objetivo estritamente educacional. Em hipótese alguma pretende substituir a consulta médica, a realização de exames e ou, o tratamento médico. Em caso de dúvidas fale com seu médico, ele poderá esclarecer todas as suas perguntas. O acesso a Informação é um direito seu: Fique informado.

O conteúdo editorial do Portal Oncoguia não apresenta nenhuma relação comercial com os patrocinadores do Portal, assim como com a publicidade veiculada no site.

© 2003-2009 Oncoguia. Todos os Direitos Reservados. desenvolvido por Lookmysite