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Última atualização: 18/03/2011
Um estudo do National Institutes of Health (NIH) concluiu que o risco de câncer de tireoide para aqueles que eram crianças e adolescentes quando foram expostas à radiação de Chernobyl não diminuiu. Quase 25 anos após o acidente na usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, a exposição ao iodo radioativo (I-131) pode ser responsável pela incidência de câncer de tireóide entre pessoas que viviam na área de Chernobyl e eram crianças ou adolescentes na ocasião do acidente, afirmam os pesquisadores.
Uma equipe internacional de pesquisadores liderada pelo National Cancer Institute (NCI) em parceria com o NIH encontrou uma clara relação de dose-resposta entre a exposição ao iodo e a predisposição ao câncer. A maior absorção de radiação de I-131 levou a um risco aumentado para câncer de tireoide que parece não diminuir no decorrer do tempo.
O estudo representa a primeira análise prospectiva do risco de câncer de tireóide em relação às doses de I-131 recebidas por crianças e adolescentes em razão do vazamento de Chernobyl. Ele foi publicado na última quinta-feira (17), na revista Environmental Health Perspectives.
"Este estudo difere de tentativas anteriores de analisar as consequências de Chernobyl em uma série de aspectos importantes. O primeiro deles é que, para esta pesquisa, nós nos baseamos em medidas das doses de radiação na tireoide de cada indivíduo feitas dois meses após o acidente”, explicou a autora do estudo, Alina Brenner, médica e PhD do Departamento de Epidemologia Radioativa. "Em segundo lugar, nós utilizamos métodos tradicionais para identificar o câncer de tireóide. Todos foram examinados, independentemente da dose de radiação".
O estudo incluiu mais de 12500 participantes que tinham menos de 18 anos de idade no momento do acidente de Chernobyl, em 26 de abril de 1986, e que viviam em uma das três regiões ucraniano atingidas pela radiação: Chernigov, Zhytomyr e Kiev. Níveis de radioatividade da tireoide de cada participante da pesquisa medidos até dois meses depois do acidente foram usados para medir a dose de I-131 presente no organismo de cada indivíduo. Os participantes tiveram suas tireoides examinadas por até quatro vezes num período de 10 anos, sendo que o primeiro exame aconteceu de 12 a 14 anos após o acidente.
O exame padrão para detecção do câncer de tireóide inclui o exame clínico de apalpamento da glândula para detectar se houve crescimento e uma ultrassonografia. Os participantes foram convidados a preencher uma série de questionários especialmente elaborados para estimar os níveis de radiação na tireóide. Isso incluía dados sobre locais onde a pessoa havia residido, consumo de leite e se a eles foram dadas doses preventivas de iodo não-radioativo nos dois meses seguintes ao acidente, para ajudar a diminuir a quantidade de iodo radioativo, que acabaria por ser absorvida pela tireoide.
Os participantes com suspeita de câncer de tireoide foram encaminhados para biópsia para coletar células potencialmente cancerosas para o exame microscópico. Se necessário, os participantes também foram encaminhados à cirurgia. No total, 65 deles foram diagnosticados com câncer de tireoide. No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo o esperado entre as mulheres é de 12 casos para cada 100 mil habitantes e, entre homens, 2 casos para cada 100 mil habitantes.
No estudo, os pesquisadores calcularam o risco de câncer em relação à quantidade de energia absorvida a partir do I-131 por cada pessoa, essa energia é medida em grays. Gray é uma medida do Sistema Internacional de Unidades para medir a quantidade de radiação absorvida. Cada gray adicional foi associado ao aumento de duas vezes no risco de desenvolver câncer de tireóide relacionado à radiação.
Os pesquisadores não encontraram evidências, durante o período de estudo, que indiquem que o risco de câncer para aqueles que foram atingidos pela reação diminui ao longo do tempo. No entanto, um outro estudo anterior com sobreviventes da bomba atômica que também sofreram exposição à radiação mostrou que o risco de câncer começou a declinar aproximadamente 30 anos após o ocorrido, mas ainda era elevado, 40 anos depois. Os pesquisadores acreditam que o acompanhamento contínuo dos participantes do estudo atual será necessário para determinar quando um eventual declínio do risco de câncer de tireoide começará a acontecer.
Fonte: National Cancer Institute
Uma equipe internacional de pesquisadores liderada pelo National Cancer Institute (NCI) em parceria com o NIH encontrou uma clara relação de dose-resposta entre a exposição ao iodo e a predisposição ao câncer. A maior absorção de radiação de I-131 levou a um risco aumentado para câncer de tireoide que parece não diminuir no decorrer do tempo.
O estudo representa a primeira análise prospectiva do risco de câncer de tireóide em relação às doses de I-131 recebidas por crianças e adolescentes em razão do vazamento de Chernobyl. Ele foi publicado na última quinta-feira (17), na revista Environmental Health Perspectives.
"Este estudo difere de tentativas anteriores de analisar as consequências de Chernobyl em uma série de aspectos importantes. O primeiro deles é que, para esta pesquisa, nós nos baseamos em medidas das doses de radiação na tireoide de cada indivíduo feitas dois meses após o acidente”, explicou a autora do estudo, Alina Brenner, médica e PhD do Departamento de Epidemologia Radioativa. "Em segundo lugar, nós utilizamos métodos tradicionais para identificar o câncer de tireóide. Todos foram examinados, independentemente da dose de radiação".
O estudo incluiu mais de 12500 participantes que tinham menos de 18 anos de idade no momento do acidente de Chernobyl, em 26 de abril de 1986, e que viviam em uma das três regiões ucraniano atingidas pela radiação: Chernigov, Zhytomyr e Kiev. Níveis de radioatividade da tireoide de cada participante da pesquisa medidos até dois meses depois do acidente foram usados para medir a dose de I-131 presente no organismo de cada indivíduo. Os participantes tiveram suas tireoides examinadas por até quatro vezes num período de 10 anos, sendo que o primeiro exame aconteceu de 12 a 14 anos após o acidente.
O exame padrão para detecção do câncer de tireóide inclui o exame clínico de apalpamento da glândula para detectar se houve crescimento e uma ultrassonografia. Os participantes foram convidados a preencher uma série de questionários especialmente elaborados para estimar os níveis de radiação na tireóide. Isso incluía dados sobre locais onde a pessoa havia residido, consumo de leite e se a eles foram dadas doses preventivas de iodo não-radioativo nos dois meses seguintes ao acidente, para ajudar a diminuir a quantidade de iodo radioativo, que acabaria por ser absorvida pela tireoide.
Os participantes com suspeita de câncer de tireoide foram encaminhados para biópsia para coletar células potencialmente cancerosas para o exame microscópico. Se necessário, os participantes também foram encaminhados à cirurgia. No total, 65 deles foram diagnosticados com câncer de tireoide. No Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Estado de São Paulo o esperado entre as mulheres é de 12 casos para cada 100 mil habitantes e, entre homens, 2 casos para cada 100 mil habitantes.
No estudo, os pesquisadores calcularam o risco de câncer em relação à quantidade de energia absorvida a partir do I-131 por cada pessoa, essa energia é medida em grays. Gray é uma medida do Sistema Internacional de Unidades para medir a quantidade de radiação absorvida. Cada gray adicional foi associado ao aumento de duas vezes no risco de desenvolver câncer de tireóide relacionado à radiação.
Os pesquisadores não encontraram evidências, durante o período de estudo, que indiquem que o risco de câncer para aqueles que foram atingidos pela reação diminui ao longo do tempo. No entanto, um outro estudo anterior com sobreviventes da bomba atômica que também sofreram exposição à radiação mostrou que o risco de câncer começou a declinar aproximadamente 30 anos após o ocorrido, mas ainda era elevado, 40 anos depois. Os pesquisadores acreditam que o acompanhamento contínuo dos participantes do estudo atual será necessário para determinar quando um eventual declínio do risco de câncer de tireoide começará a acontecer.
Fonte: National Cancer Institute
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