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Terapia Ocupacional

Equipe Oncoguia

Última atualização: 04/09/2008

Receber um diagnóstico de câncer não é nada fácil! A vida muda bastante: a doença pode trazer dor e vários sintomas, as atividades do dia-a-dia se transformam, o tratamento passa a ocupar boa parte da rotina e das preocupações, os projetos precisam ser adiados.

Quando o tratamento começa, são necessários períodos de internação, cirurgias, quimioterapias e/ou radioterapias, entre tantos outros procedimentos que – ao ajudar – também trazem ainda mais rupturas na vida das pessoas. As mudanças se fazem presentes no lar, no hospital, nos centros de tratamento: escovar os dentes, tomar banho, vestir-se, cozinhar, estudar, trabalhar, estar com amigos, passear, brincar, entre tantas outras atividades, podem tornar-se difíceis, dependendo de cada caso.

Em todos estes momentos, o terapeuta ocupacional é um profissional que pode ajudar os pacientes com câncer. Através de suas intervenções, ele busca resgatar a autonomia e a independência no cotidiano, na realização de todas estas atividades citadas. Também pode ajudar na realização de novas atividades e novos projetos, a partir da vivência da doença, de acordo com as possibilidades e limitações existentes.

Baseado em uma definição dada pela Universidade de São Paulo, podemos dizer que a Terapia Ocupacional é um campo de conhecimento e de intervenção em saúde, na educação e também na área social. Este profissional trabalha com estratégias e propostas para a emancipação, para a autonomia das pessoas, que por motivos ligados a suas problemáticas (sejam elas doenças, deficiências, questões emocionais ou sociais), estão vivendo situações de limitação e de dificuldades em viver a vida de uma maneira completa.

O terapeuta ocupacional pode exercer sua atividade em diversos locais: hospitais e seus diversos setores, centros de reabilitação, unidades básicas de saúde (postos de saúde), hospitais-dia, ambulatórios, consultórios particulares ou no próprio domicílio do paciente. Há também profissionais que atuam em escolas e creches, empresas, organizações não-governamentais e associações, e em todos estes espaços ele poderá ajudar a pessoa que tem câncer a estar em condições físicas e emocionais para realizar atividades que tenham sentido para ela.

Os atendimentos podem ser feitos individualmente e também em grupos, de acordo com as necessidades de cada paciente e do tratamento. Diversos recursos são utilizados:

- Atividades manuais, lúdicas, artísticas e expressivas;
- Exercícios terapêuticos;
- Abordagens corporais (massagem, relaxamento, alongamento, etc);
- Técnicas para o controle de dor e fadiga;
- Confecção e indicação de órteses, que são aparelhos utilizados para melhorar a posição das diversas partes do corpo, de maneira a evitar seqüelas e/ou permitir movimentos;
- Confecção e indicação de equipamentos de auxílio e adaptações (tecnologia assistida);
- Acolhimento, apoio, escuta e conversas.

São diversas as abordagens que podem ser adotadas e estas irão depender do profissional e do local de trabalho. Entretanto, o objetivo maior é sempre a qualidade de vida daqueles a quem atendemos. É sempre preciso lembrar da importância do trabalho em equipe: assistentes sociais, dentistas, educadores, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, médicos, nutricionistas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, entre outros, devem trabalhar de maneira conjunta e integrada, para uma melhor atenção às necessidades dos pacientes.

É necessário lembrar também que, com o adoecimento, os familiares também passam por momentos de sofrimento e situações de mudança. Estes familiares, então, podem precisar de ajuda para lidar com esta situação e devem procurar a equipe de saúde. O apoio e a divulgação de informações aos familiares também são contribuições do terapeuta ocupacional, além de atendimentos específicos aos familiares quando necessário.
O terapeuta ocupacional é um profissional ainda pouco conhecido, especialmente no campo da oncologia. Porém, os trabalhos práticos e os estudos científicos vêm aumentando, e a Terapia Ocupacional está se desenvolvendo. Nem todos os serviços – públicos ou particulares – oferecem este tipo de atendimento; procure os profissionais que lhe atendem para encaminhamento ao terapeuta ocupacional, no próprio local de tratamento ou para outros serviços.

Marilia Bense Othero
Terapeuta ocupacional. Especialista em Saúde Coletiva e Membro do Comitê de Terapia Ocupacional da ABRALE


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