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Máquina que 'lê' genoma em um dia chega ao Brasil

Equipe Oncoguia

Última atualização: 15/08/2012

Depois de fazer muito barulho mundo afora, o sequenciador que lê o genoma humano em um dia por apenas US$ 1.000 (R$ 2.020) finalmente chega ao Brasil.

O Hospital A.C. Camargo, instituição de São Paulo especializada em câncer, e a Fiocruz do Paraná compraram o Ion Proton e devem recebê-lo em setembro. O aparelho e o processador custam cerca de US$ 250 mil.

Há cerca de dez anos, quando o genoma humano foi sequenciado, o processo todo levou mais de dez anos, e seu preço ficou na casa dos bilhões de dólares.

O que permitiu baratear o processo é a tecnologia usada, similar à de qualquer computador da atualidade e que não depende da decifração das "letras" químicas do DNA usando luz. É isso que torna o processo mais trabalhoso e até dez vezes mais caro com outros aparelhos.

Segundo Emmanuel Dias-Neto, biólogo, bioquímico e pesquisador do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital A.C.Camargo, o objetivo é ter cada vez mais uma medicina personalizada.

"Já há outras plataformas que permitem sequenciar genes específicos, mas há síndromes de cânceres hereditários em que deveria haver uma mutação em certo gene, mas não há.
Nesses casos, talvez seja preciso olhar o genoma como um todo. Hoje, isso é algo mais factível."

No A.C. Camargo, o Ion Proton deve ser usado inicialmente para pesquisa. A ideia é separar o joio do trigo, ou seja, encontrar as alterações genéticas que têm e não têm a ver com o câncer.

"Queremos entender melhor os tumores, por que um é mais agressivo que o outro, por que um responde melhor a químio ou a radioterapia."

Só mais tarde o sequenciamento deverá ser oferecido ao paciente, na prática clínica. A leitura e a interpretação de todo o genoma poderão ser usadas para aconselhamento de famílias com tumores hereditários, digamos.

"Se a pessoa tiver a alteração, vamos ter de olhá-la mais de perto", afirma Dias-Neto. "Nos Estados Unidos, já há pacientes com câncer que já têm vários genes sequenciados no hospital para avaliar a gravidade da doença."

O hospital também será um centro de apoio para pesquisas de outras instituições. Já há projetos de trabalhar com o Instituto de Psiquiatria da USP para investigar mal de Alzheimer, autismo, transtorno bipolar e esquizofrenia.

GARGALO

Apesar de mais rápido e barato, o aparelho tem falhas, afirmam os especialistas.

"Ela erra muito. Quando há sequências de muitas 'letras' repetidas, o aparelho tem dificuldade de ler", afirma Bernardo Garicochea, coordenador da unidade de aconselhamento genético do Hospital Sírio-Libanês.

O problema, porém, pode ser contornado, afirma Dias-Neto. Sabendo dessa limitação, é possível confirmar o dado em outros aparelhos.

Segundo o geneticista David Schlesinger, do hospital Albert Einstein, o mais importante não é a máquina, mas o que fazer com os dados gerados. "Falo que é o genoma de US$ 1.000 e a interpretação de US$ 1 milhão."

Na prática, porém, o sequenciamento deve custar mais que isso. Dias-Neto afirma que, contando com a importação de reagentes e impostos, hoje esse preço ficaria em torno de US$ 3.000.

Editoria de arte/folhapress
 
Fonte: Folha de São Paulo


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