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Mamógrafo leva prevenção à Amazônia em navio da marinha

Equipe Oncoguia

Última atualização: 20/08/2012

O acesso por terra a São Sebastião da Boa Vista só existe a partir do vilarejo de Cocal. Mas a cidade de 22 mil habitantes na Ilha de Marajó não está isolada. É pelas águas caudalosas do Rio Pará que o mundo chega a São Sebastião, no nordeste do Estado que dá nome ao rio.

Saindo da capital Belém, são seis horas de navegação, uma viagem cercada de mata amazônica e um calor acima dos 30°C. Encontros espaçados com barquinhos de pesca e casas isoladas completam a paisagem. O navio Auxiliar Pará da Marinha do Brasil leva a bordo uma tripulação de 80 marinheiros e 8 oficiais, além de médicos e dentistas. No terceiro convés, um mamógrafo GE Performa. A experiência de ter um equipamento como esse em um navio é inédita, assim como o encontro da tecnologia com aquela população.

A aposentada Dorcinea Correa Leal, de 82 anos, esperava sua vez sentada em uma cadeira de plástico ao lado da grande caixa de chumbo construída para isolar o mamógrafo. Mãe de 15 filhos, ela nunca havia passado pelo exame. Nem sabia para que servia, apesar de versada em assuntos de mulher: foi parteira por quase toda a vida.

Ao lado da filha Deusanina, de 51 anos, 12 filhos, Dorcinea conta que foi ela quem "pegou" todos os netos. Além deles, já fez mais de 500 partos. "Minha mãe fazia, ela que ‘pegou’ os meus filhos. Deus é que dá o dom para gente. Mas a gente tem de ter ciência para não machucar."

Treinada na ciência, Dorcinea também ‘pegou’ boa parte dos 58 netos, 17 bisnetos e 1 tataraneta. Há dois anos se aposentou. "O doutor disse para eu parar, que já não tinha reflexo pra continuar." Fez o exame e não deu nada.

Família grande como a da parteira aposentada é comum nas margens do Rio Pará. Se a alta taxa de natalidade pode provocar dificuldades, principalmente financeira, a característica é positiva para a contabilidade das mamografias. A amamentação provoca o amadurecimento das glândulas mamárias, tornando as células menos suscetíveis ao desenvolvimento do câncer de mama. A distância do estresse urbano também colabora para baixos índices.

Entretanto, as primeiras visitas do mamógrafo para a região têm uma importância maior, explica Francisca Harley, da ONG América Amigas, que fez a doação do mamógrafo a dois barcos da Marinha. Além do Pará, o navio Dr. Montenegro ganhou o equipamento, que custa cerca de R$ 1 milhão. "É a primeira vez que essas mulheres recebem esse tratamento. Além de ser um mapeamento importante, é também um encontro da cidadania", diz Francisca. A Américas Amigas já doou 20 mamógrafos pelo País desde 2009.

Apesar da pequena incidência na Região Norte (19 a cada 100 mil, cerca de 3 vezes menor que no Sudeste), o câncer de mama é o segundo tumor mais mata por ali. Os dados são do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Cívico-social

A embarcação Pará não é um navio-hospital, mas está preparada para atendimentos ambulatoriais. A Marinha realiza periodicamente as chamadas Ações Cívico-Sociais (Aciso) em comunidades carentes e afastadas. Além de São Sebastião, a missão realizada em julho esteve em outras seis comunidades ao longo de 14 dias.

Foram 933 atendimentos médicos e 336 odontológicos - muitos dos quais extrações de dentes -, além de procedimentos de enfermagem e distribuição de remédios. No período, 37 mulheres fizeram mamografias, todas em São Sebastião - e nenhuma apontou indícios de tumor. O número de examinadas é baixo porque a Marinha precisa ceder seu único radiologista de Belém para fazer os laudos no navio - o que demonstra uma carência na região, apesar do esforço dos militares.

Maria Rita Tavares, de 42 anos, foi com a família toda ao navio. Ela passou pela mamografia e o marido, Antonio Daniel, de 52, foi com o neto Mateus, de 10, ao dentista. Daniel teve de arrancar dois dentes - ele já havia perdido cinco. Mateus precisava extrair um, mas ficou com medo.

Ao chegar em casa - uma construção de madeira sobre as águas em um dos braços de rio -, ele seguiu as orientações dos dentistas. Pegou a escova e foi cuidar dos dentes. Agachou na água e começou a escová-los. Sem água encanada, o rio serve para tudo.
 
 
Fonte: O Estado de São Paulo


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