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Campanha arrecada perucas, lenços e chapéus para pacientes com câncer

Equipe Oncoguia

Última atualização: 20/08/2012

O Núcleo de Oncologia Santista (NOS), no litoral de São Paulo, criou um banco com lenços, chapéus e perucas com o objetivo de atender mulheres que sofrem com algum tipo de câncer e que, por causa do tratamento, acabaram perdendo os cabelos. Criado por mulheres que já passaram por esse problema, o banco tem o intuito de, gratuitamente, ajudar pessoas doentes a manterem a autoestima e a confiança na recuperação.

A ideia surgiu com a paciente Valéria Kenchicoski, de 37 anos. Ela descobriu que tinha câncer de mama no ano passado, depois de dois meses separada do marido “Eu entrei em um luto atrás do outro”, diz. Valéria explica que a perda do cabelo aconteceu de forma gradativa, até o momento em que precisou raspar a cabeça. Ela conta que não conseguiu usar peruca, já que era o verão e estava muito calor. A alternativa, então, foram os lenços e os chapéus. Valéria ganhou muitos modelos dos amigos e familiares e, assim, combinava as roupas com os acessórios. Depois de passar por uma cirurgia e terminar o seu tratamento, ela teve a ideia de doar seus lenços para outras mulheres que estariam passando pela mesma situação. Ela acreditava que a doação também fazia parte do processo de cura.

A ideia de Valéria fez surgir um banco de lenços, chapéus e perucas, que funciona através de doações. “Primeiro eu achava que a iniciativa não ia dar em nada. Seria apenas uma troca entre nós colegas”, conta. Em março deste ano, a ONG começou a recolher os objetos. Ela doou cerca de cinco chapéus e mais de 30 lenços, alguns que ela nem tinha usado.

Os itens são doados para os pacientes que procuram o núcleo e aqueles que já estão em tratamento. Os objetos passam por uma triagem. Os lenços, chapéus e perucas que estão em bom estado são higienizados e catalogados, antes de serem destinados a doação.

A coordenadora de projetos da ONG, Nina Marie Hoffmann Perdicaris, explica que a ONG não aceita nenhum tipo de recompensa pelas doações. A intenção é que a paciente vá até o banco de doações e escolha o que ela mais gosta. A maior parte das doações recebidas foram doadas por pacientes que terminaram seus tratamentos.

Chapéus de diversos modelos podem ser retirados pelos pacientes (Foto: Mariane Rossi/G1)

Maria Gleide Gonzales foi uma das primeiras doadoras do banco. Depois de três cirurgias, 48 internações e 10 sessões de quimioterapia por conta do câncer de mama, ela conta que a queda do cabelo fez parte de todo o processo de tratamento e de aceitação. “Quando eu comecei a perder o cabelo, eu estava no isolamento no hospital por causa da queda de imunidade devido a quimioterapia. Quando eu cheguei em casa, tomei o banho e caiu todo o cabelo. Eu não cortei meu cabelo. Eu queria ver meu cabelo cair, porque eu queria ver se o tratamento estava dando certo”, diz.

Sem cabelos, ela passou a usar uma peruca. A despachante aduaneira aposentada lembra que a descoberta do tumor veio no dia de seu aniversário de 43 anos, e os médicos foram bem sinceros em relação a doença. “A médica falava para eu não fazer planos até dezembro. Quando chegou em dezembro, a especialista disse que eu podia sonhar. Você não percebe o quanto você se transforma no final do processo. Você sente orgulho da história”, conta. Sua peruca, com a cor parecida do cabelo natural, também fez parte do banco de acessório da ONG.

Já Jocely Alcoover, que já tinha um histórico de câncer de mama na família, teve a doença aos 45 anos. Durante todo o ano passado ela fez o tratamento e retirou uma das mamas. Hoje ela sonha com a cirurgia de reconstrução e já deu adeus aos lenços e a peruca que usou. “É uma coisa que você quer fazer quando o tratamento acaba. A minha peruca já está passeando por ai”, diz.

Entre outras histórias, Nina Marie conta que certo dia uma paciente chegou com uma peruca de cabelo curto, porém, sempre quis ter um cabelo longo. A coordenadora conta que a paciente entrou de cabelo curto e saiu de comprido “Foi o megahair mais rápido que eu já vi. Em 5 minutos ela entrou uma e saiu outra”, brinca.

Atualmente a ONG atende 273 pessoas. Desde o começo da coleta dos objetos, já foram mais de 100 lenços recolhidos. A coordenadora estima que cerca de 180 peças, entre chapéus, perucas e lenços já passaram pelo centro do doações. Ela conta que já vieram perucas do Rio de Janeiro até da Espanha.

Para fazer doações ao banco ou ser voluntário, basta comparecer a sede do Núcleo de Oncologia Santista, que fica Rua Rio de Janeiro, 18, em Santos.
 
 
Fonte: G1


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