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Com música e poesia, Deltemir engana o câncer

Equipe Oncoguia

Última atualização: 29/08/2012

Na guerra contra um câncer de pâncreas, as armas do aposentado Deltemir Luiz Zóia, 66 anos, são a música e a poesia. Se a doença ataca com dores insuportáveis e com os efeitos dilacerantes da quimioterapia, ele contra-ataca com versos em rimas ou letras de canções otimistas. O resultado deste embate em que Deltemir, heroicamente, vem levando a melhor, se materializou em um CD com músicas e poesias produzidas ao longo do tratamento.

E foi com muita festa que o aposentado lançou o material na última quarta-feira, no Hospital Austa, para um animado público formado por enfermeiras, atendentes, médicos e familiares, entre outros. A meta de Deltemir, que não recebeu alta médica ainda, é voltar a tocar violão. Como os dedos estão fracos, o irmão se encarrega do instrumento.

Sua relação com a música começou como hobby em 1993. Mas por conta do acidente aéreo que matou todos os integrantes do grupo Mamonas Assassinas, em 1996, ele entrou em luto e decidiu esquecer a paixão musical. “Fiquei muito triste com a morte deles. Na época, eu tinha gravado uma faixa do grupo para minha primeira fita. Mas fiquei tão chateado que não conseguia mais olhar para o violão,” diz.

Em março deste ano, ele descobriu o câncer. Foi quando se reconciliou com a música. O médico queria lhe dar remédios para tratar a depressão provocada pelo doença, mas ele não aceitou. Buscou na antiga paixão a força que precisava para enfrentar o inimigo. “Foram anos sem encostar um dedo no violão, compor ou fazer poesia. Por isso, estou sentindo uma emoção muito grande.” Para ele, a música é um antidepressivo, além de ajudar na sua recuperação.

No momento do lançamento do CD, os funcionários do hospital se emocionaram. Era visível a alegria das pessoas diante da determinação de Deltemir. Ele distribuiu autógrafos e esperança. Em um de seus poemas, Deltemir diz: “Não pense que a mentira me consola,/ não te condeno e nem te recrimino. /Eu não podia contrariar o meu destino/ e nem tu podias contrariar o teu. Sofro, não importa, mas não censuro.” A enfermeira Priscila Polizeli, do setor de quimioterapia do Austa, fala que a música ajuda no tratamento, porque mexe com o lado afetivo, melhora o convívio entre os pacientes e cria um clima mais tranquilo. “Humaniza e traz resultados positivos,” afirma.

Para a farmacêutica Priscila De Lucca, a arte inserida no período do tratamento acaba sendo produtiva. Para ela, é uma forma de tornar a doença menos dolorosa. “Ainda não se sabe se ele está totalmente curado, mas Deltemir está respondendo muito bem ao tratamento e temos a certeza de que tudo vai acabar bem,” diz.
Mas Deltemir nem pensa em eventual derrota para a doença. Ele sabe que a luta é árdua, mas nem admite a hipótese de perder a guerra.

Alívio

Pesquisadores da Universidade Drexel, na Filadélfia, nos Estados Unidos analisaram, em 2011, 1.891 pacientes em 30 diferentes experimentos. Em comparação com o tratamento convencional, houve baixa significativa nos índices de ansiedade clínica naqueles que aliaram a música ao procedimento padrão. Para a psicóloga Gisele Lelis Vilela, a música ajuda na recuperação e traz autoestima, pois dá satisfação aos pacientes. “A música nos traz recordações boas, nos deixa otimistas,” diz. Gisele fala também que a música é uma tendência utilizada pelos médicos porque deixa os pacientes mais dispostos a suportar o tratamento.

O oncologista clínico Otávio Martucci explica que a arte, de forma geral, ajuda na concentração e recuperação. “Nesses momentos, muitas vezes, surgem novos talentos.” Para ele, geralmente, os pacientes estão com a autoestima abalada, e qualquer tipo de arte consegue reverter esse quadro. A psico-oncologista Maria Belmira Garcia diz que certos elementos musicais podem aumentar a sensação de conforto, reduzir o medo e a percepção da dor. “Escutar algumas canções não é apenas uma atividade lúdica para entreter o paciente, mas ativa capacidades internas de transformação e renovação.”
 
 
Fonte: Diário Web


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