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Eliane Furtado

Equipe Oncoguia

Última atualização: 10/01/2010

Eliane, conte-nos um pouco sobre a sua história. Como e quando surgiu a idéia de escrever o livro?

Há muito tempo tinha idéia de escrever um livro. Mas nunca pensei que o tema fosse ser o câncer, minha própria história.

Sou jornalista profissional e professora universitária também. Tenho grande experiência em televisão, e em comunicação. Então pensava em escrever algo neste campo.

E tinha algumas anotações também sobre obesidade, uma vez que nos últimos anos desenvolvi obesidade mórbida face grandes dificuldades de vida, e muitos altos e baixos. Minha terapeuta, Maria Teresa Lago, me incentivava há muito tempo para eu seguir esta linha: escrever.

E sempre me achou bem humorada. Ela brincava que eu tinha facilidade de relatar o cotidiano de uma forma interessante.

Quando veio o diagnóstico em 2007, ela então disse: está na hora de colocar no papel tudo que você vai vivenciar. Não foi logo de cara. Mas com o tempo, percebi que escrever era uma grande saída para liberar minhas emoções. Comecei a escrever sem pretensão. Seis meses depois, já tinha 30 crônicas prontas.

Câncer: sentença ou renovação? Como surgiu a idéia do nome do livro?

Tive muita sorte que a Hama Editora tenha abraçado minha idéia em lançar o meu livro de crônicas. O título foi uma decisão conjunta e reflete algumas de minhas crônicas. Desde a hora da sentença, do diagnostico, até o momento da renovação – a cada exame vitorioso, a cada cirurgia bem sucedida, a cada vitória diante da quimioterapia, a cada superação.

Você pode pegar o diagnóstico e fazer dele uma sentença, chorando pelos cantos, deprimindo, se sentindo uma grande vítima, ou pode reformular tudo, dar início a uma nova história e optar pela renovação.

Não estamos todos os dias renovando? Então optei pela vida, por vencer, por ganhar esta luta, não importa quantos anos mais. Penso na vitória todos os dias. E me renovo a todos os momentos.

Quais sãos os principais temas que você aborda em seu livro?

O livro tem quarenta crônicas. Convidei meus médicos para darem também um depoimento. Cada um falou o que quis. Meu clínico Flávio fala sobre o diagnóstico, a importância dele, a precisão. Meu cirurgião Eduardo Linhares fala sobre o câncer coloretal.

Meu humano e sensível oncologista, Daniel Herchenhorn, fala sobre a especialidade, a presença de Deus na força de cada um de nós, e na luta. A psicoterapeuta Maria Teresa Lago, fala sobre o que observou na minha conduta, em nossa aliança terapêutica e cita generosamente a minha coragem diante do inesperado.

Convidei também quatro pessoas que enfrentaram o câncer, de idades variadas, com problemas diferentes, mas com uma coisa em comum: uma atitude firme e vencedora.

Eles abrilhantaram meu livro com seus depoimentos.

Nas crônicas, cheias de emoção, humor e curiosidades falo de personagens que enfeitam a minha vida e que estiveram muito presentes no meu dia a dia. Meu par, familiares, meus cachorros, amigos de infância e de vida, meus médicos. Falo da emoção frente a cada situação.

Como você descobriu a doença?

Descobri em uma de minhas consultas de rotina. Em outubro/2006, meu clínico e cardiologista, Flávio Cure, pediu vários exames. Entre eles o CEA. Nunca tinha ouvido falar neste exame. Eu queria emagrecer e precisava de uma reorganização geral clínica. Naquele momento, tudo estava normal.

Dois meses depois, já em janeiro/2007, voltei ao consultório para revisão, ele pediu tudo de novo.

O CEA de 7 em outubro/2006, aumentou para 57 em janeiro/2007. E aí ele pediu ressonância, colonoscopia e mais e mais.

Na colono encontramos três pólipos. Dois benignos, e um teimoso que não quis sair. Um tumor de um centímetro. Mas o pior, que mesmo pequeno, ele fêz um grande estrago.

Hoje em dia, a colonoscopia não é um exame obrigatório em pessoas acima de 40, 50 anos. Mas deveria ser. Ela pode evitar muitos problemas. Como a prevenção da próstata e exames de mama e útero, a colono deveria fazer parte dos preventivos.

Que impacto o diagnóstico de câncer teve em sua vida?

O que você acha? Terrível, devastador. Mas acima de tudo, de total perplexidade.

O pequeno tumor de um centímetro encontrado na colonoscopia não significaria nada se não tivesse passado, via corrente sangüínea, para o fígado. O tumor em si seria resolvido com a cirurgia. Mas a dor, o susto maior e a incerteza foram diante da sentença do diagnostico da metástase no fígado.

Muito tempo depois, cheguei a conclusão que tive sorte, minha sorte. Os nódulos estavam no fígado, só lá.

Mas até chegar a esta conclusão, muitas dúvidas, tristeza. Eu tinha dois caminhos: parar e chorar ou enfrentar. Enfrentei!

De que forma você acredita que o câncer alterou a sua vida?

Existem hoje duas Elianes. Uma antes do câncer e outra depois. Não fiquei mais boazinha e nem os defeitos desapareceram. Ainda sou a mesma neste sentido. O que mudou foi a forma de encarar certas coisas, certos problemas. Ficar diante da sentença, da dúvida se sua vida chegou ao fim, faz você refletir, querer melhora,r aproveitar melhor o banho, a preguiça do domingo, seus amigos, seu trabalho, o nascer do sol, a noite, tudo, tudo. Não se aborrecer com tanta facilidade. Nisto eu melhorei muito. Era uma estressada. Talvez pelos mimos familiares.

O câncer faz você querer mudar hábitos, como alimentação, ficar menos sedentária, relaxar mais diante dos problemas. Eu levava tudo a ferro e fogo. Hoje não levo mais.

Ah, escrevi este livro que só me dá alegrias, fiz novos amigos e amigas na clínica de tratamento, resgatei afetos, dou palestras e tenho um blog.

Estou aproveitando a vida, trabalhando, me divertindo e construindo mais. Estou cheia de planos e vivo hoje com muito mais prazer ainda.Com muita intensidade. Minha missão não terminou.

Como foi a relação entre você e a sua equipe médica? Você acredita que durante o tratamento uma orientação multiprofissional é fundamental para promover a qualidade de vida do paciente?

Venho de uma família de médicos. Pai, padrinho, tios e o irmão. Meu único irmão é cirurgião. Ele foi operado com êxito por um colega, também no intestino, em 2004. Ele queria o mesmo cirurgião para mim. Competente e ainda por cima tinha o conforto de ter plano de saúde.

Mas não tive dúvidas quando abracei minha equipe. Flávio Cure havia dado meu diagnóstico. O grande médico é aquele que descobre tudo na hora certa. Ele tinha indicações. O cirurgião e o onco. Fiquei com minha intuição. Fiquei com a equipe de Flávio Cure. Achei que o entrosamento deles seria – e foi - fundamental para o meu tratamento. Eles são unidos, colegas e trabalham em conjunto. Ficariam mais à vontade entre eles. Para mim, financeiramente, foi uma decisão pesada, muito pesada. O plano não cobria os serviços deles. Apenas exames, QT, hospital. Mas, decidi por eles. E estou imensamente feliz por isso, por esta decisão.

Meus médicos são mais do que competentes. São comprometidos com a profissão e com seus pacientes. São atualizados, estudiosos e dedicadíssimos. E também humanos e otimistas. Isto sem dúvida, contribuiu sempre muito para o meu alto astral. Quando a peteca caia um pouco, ligava para eles. E perguntava “:- Eu tenho futuro? Você acha mesmo que vou vencer?”

Eles sempre tinham a palavra certa.

E tome nota, eu passei por três cirurgias, dois procedimentos e mais tratamento. Eles agora fazem parte da minha vida, da minha história.

Só não abri mão da minha terapeuta, que já me acompanhava há dois anos. Não quis nenhum outro profissional nesta área.

O envolvimento de todos, a cumplicidade entre nós, me levou a escrever minha homenagem a toda equipe na crônica O reencontro..

A fé é importante nessas horas?

A fé é importante sempre. No dia a dia, ao sair de casa, à noite agradecendo por tudo.

A fé em Deus. Todas as religiões nos levam a Deus. Mas você também precisa ter fé em você, na sua força, em si mesmo, e na certeza que seus médicos farão tudo que há de melhor. No caso, os grandes médicos.

Você acredita que a informação também melhora a qualidade de vida do paciente?

Claro! Se eu soubesse que deveria fazer colonoscopia logo que meu irmão foi diagnosticado, eu teria feito. A prevenção, o diagnostico precoce é tudo, é tudo!

Na época não conhecia meu clínico Flávio. Ele era médico de meus primos.

Que orientações você daria para alguém que está recebendo o diagnóstico de câncer hoje? Teve alguma coisa que você fez durante seu tratamento que fez a diferença? O que é fundamental?

Chore apenas um pouco. Fique triste por apenas alguns momentos. A certeza da vitória tem que nortear sua vida daqui pra frente. Leve uma vida normal dentro do possível. E é possível. Trabalhe, viaje, pequenos passeios, cerque-se de pessoas positivas, alegres, que tratem você normalmente. Fale abobrinhas, ria muito, se você gosta de bichinhos de estimação, apegue-se a eles. Se não gosta, aprenda a gostar. Eles fazem a maior companhia e mantém sua mente ocupada. Veja filmes, ouça música, cante alto, namore, sonhe, faça projetos. Sempre.

E se resguarde dos chatos de plantão, aqueles que tem receita de lojas de peruca, de remédios milagrosos, de filosofias baratas, aqueles que olham para você e dizem:

- “Puxa você está tão bem...” E ficam, no fundo, com aquele olhar horrorizado.

Ora, claro que você está bem. Está viva, lutando. Você está em tratamento, tratamento para vencer. A gente toma remédio, faz QT, radio para curar, para vencer, não para morrer.

E depois, já parou para pensar: todo mundo morre um dia. Ninguém, mas ninguém mesmo vai ficar por aqui. E depois, acidentes acontecem. Sempre. Encare o câncer com um acidente que aconteceu. Você não é vítima de nada.

E enquanto estamos por aqui, vamos aproveitar.

Um brinde a todos. Saúde!

O que você achou do Oncoguia? Tem alguma sugestão a nos fazer?

Que iniciativa maravilhosa. Para falar a verdade, ainda não conhecia, porque evito acessar sites que falem sobre doenças. Mas quando o espaço é esclarecedor e de bom gosto, é uma benção para todos aqueles que querem obter informações idôneas dadas por uma equipe composta por profissionais sérios e comprometidos.

Aproveito para agradecer a oportunidade, e convidar a todos para entrar no meu blog. Fiz um grande lançamento do livro, na Cultura esta semana, e o livro já está em São Paulo.

Quem tiver dificuldade em encontrar, pode comprar pela no site da Hama Editora.


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