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Principais complicações no pós operatório das cirurgias de mama

Dra. Jaqueline Munaretto

Última atualização: 25/11/2011

Queridos leitores,

Continuando nossa conversa sobre pós operatório em cirurgia de mama, nesse artigo vou abordar as principais complicações no pós operatório da mastectomia.

Em qualquer procedimento cirúrgico quando obtém-se qualquer resultado outro, que não o desejado, pode-se dizer que ocorreu uma complicação. Esta definição apesar de inespecífica e genérica, deve ser conhecida por todos profissionais da área da saúde e inclusive por você, para que ao notá-las possa procurar auxílio e orientação o quanto antes.

Independentemente do tipo e da abordagem cirúrgica adotada elas podem ocorrer em até 60% dos casos. Algumas delas podem ocorrer no pós operatório imediato como: dor, seroma, necrose de tecido, deiscência de feridas, fraqueza no braço, alteração de sensibilidade, infecções, complicações respiratórias e circulatórias e problemas de cicatrização e outras podem advir no pós operatório tardio como disfunção do ombro e cintura escapular, retrações e aderências, linfedema, encarceramento nervoso, dor na mama fantasma e alterações posturais. A fisioterapia assume um papel fundamental na prevenção, diminuição e resolução dessas complicações.

A dor será decorrente da manipulação cirúrgica, devido à presença da ferida operatória e tração de tecidos circunjacentes à cirurgia. Ela é tolerável, porém seu médico poderá prescrever-lhe analgésicos e a fisioterapia conta com o auxílio do TENS, que é aquele “choquinho” que ajuda a tirar a dor. Infecções são percebidas através de exames laboratoriais e presença de vermelhidão, calor, dor e turgor no local da ferida operatória, o tratamento será prescrito pelo seu médico, geralmente com antibióticos. Problemas relacionados com abertura de ferida ou necrose de tecido também podem surgir, seu médico a avaliará e escolherá a melhor conduta. Alteração de sensibilidade, como sensação de queimação, peso e formigamento, são comuns nos primeiros dias devido manipulação de nervos, porém algumas cirurgias podem comprometer o plexo nervoso e isso pode tornar-se permanente na axila e face interna do braço. A fisioterapia utiliza-se de técnicas para o estímulo nervoso dessas áreas e dessensibilização da pele com gelo, diferentes tipo de texturas e também com eletroterapia.

Seroma é a mistura de plasma com líquido linfático, é a complicação mais comum e pode aparecer em espaços abaixo da pele quando a circulação linfática está deficiente, especialmente em mastectomias. O tratamento é feito pelo médico através de punções.

A fraqueza no braços, como já citei no artigo anterior, ocorre pela restrição na movimentação durante as primeiras semanas de pós operatório, como também pela ressecção de algumas estruturas musculares ou presença de complicações. A fisioterapia deve ser iniciada o quanto antes para reversão desse quadro.

Por último, mas não menos importante, as alterações respiratórias são decorrentes do uso de anestesia geral, tempo de cirurgia, inatividade, respiração curtinha devido presença de dor, por vezes comprometimento da pleura durante a cirurgia necessitando de um dreno torácico. Todas essas situações levam à diminuição da ventilação pulmonar e podem acumular secreção, que podem favorecer o aparecimento de pneumonias. Por isso é muito importante realizar fisioterapia respiratória, com técnicas de expansão pulmonar e higiene brônquica.

Passados algumas semanas, entramos na fase tardia da cirurgia. Nessa fase podemos observar alterações funcionais da cintura escapular e do ombro decorrentes de lesões nervosas, nesse caso a paciente ficará com dificuldades de movimentar os músculos em volta do osso da escápula (omoplata), movimentos como levantar, abrir os braços e encostar a mão nas costas ficarão prejudicados. Presença de aderências e fibroses na cirurgia também levam à limitação de movimentação do braço. A fisioterapia dispõe de recursos manipulativos, como técnicas de massagem e uso de aparelhos que previnem a formação dessas aderências e fibroses, desde que realizadas precocemente, uma vez instaladas é difícil tratá-las.

A dor ou presença de mama fantasma são sintomas que a paciente refere sentir no local onde foi retirada a mama. É comum sentir a presença da mama como se ainda estivesse ali, junto com dores, agulhadas, formigamentos entre outros sintomas. O tratamento envolve psicoterapia e fisioterapia. Na fisioterapia utilizamos eletroterapia, laser, acupuntura, técnicas de massagem e dessensibilização da região.

A presença de alterações posturais e dores na coluna não são incomuns. A retirada da mama acarreta um desequilíbrio no peso do eixo da coluna, um lado fica mais pesado que o outro levando à desvios posturais. Podem ser realizados exercícios específicos e técnicas de tratamento posturais como RPG, Pilates e Iso Stretching. Deve ser providenciado uma prótese mamária externa disponível comercialmente. O objetivo da prótese externa de mama é suprir a falta da mama, compensando o volume retirado; possuindo extrema importância do ponto de vista psicológico e ortopédico, proporcionando equilíbrio estático da coluna, evitando contraturas musculares na região cervical e na cintura escapular. A colocação da prótese dentro do sutiã logo após a cicatrização da cirurgia previne as dores na coluna e desvios posturais.

Espero que ao lerem esse texto, vocês consigam compreender que as complicações cirúrgicas de mama realmente podem existir como em qualquer outro procedimento cirúrgico, porém elas podem ser identificadas e tratadas. A fisioterapia em oncologia é sua aliada. Consulte sempre um fisioterapeuta especialista.

Ainda tem o linfedema, que sem dúvida é uma das complicações mais conhecidas e temidas por todas vocês. Mas como as alterações da circulação linfática são muito extensas, voltarei no próximo artigo com tudo o que você precisa saber sobre linfedema, tratamento e novidades acerca desse tema.

Abraços a todos!

Até a próxima.

Jaqueline Munaretto Timm


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