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Cuidados no Pós operatório

Dra.Patrícia Teresa Valentini de Melo

Última atualização: 16/11/2011

Caros leitores,

Continuando nossa abordagem prática em relação ao tratamento cirúrgico das doenças da mama, hoje conversaremos sobre os cuidados no pós-operatório. No mês passado fizemos um panorama conceitual das cirurgias mais importantes da mama. Agora é o momento de saber como cuidar da mama operada logo após a cirurgia e quais são os cuidados gerais para com a pessoa que foi submetida ao procedimento cirúrgico.

Esses cuidados são simples, mas essenciais. Depois de uma cirurgia de mama, quando a paciente recebe alta e vai para casa, alguns cuidados são necessários para a limpeza e higienização do local da operação. Essa é uma tarefa bastante simples e deve ser feita no momento do banho, com água corrente e sabonete comum. Geralmente, a manipulação cirúrgica exige a colocação de um dreno no local da cirurgia, que deve ser mantido por tempo variável, para a eliminação dos fluidos que naturalmente são produzidos pelo organismo após um corte, o que evita a formação de hematomas ou seromas. Se a cirurgia é extensa, utilizamos um dreno a vácuo.

O dreno a vácuo tem acoplada uma pequena bolsa, onde fica armazenada a secreção drenada, que precisa ser esvaziada a cada 24 horas e lavada apenas com água. Nas cirurgias de pequena extensão utilizamos um dreno simples e o local fica protegido por um curativo feito com gaze e esparadrapo antialérgico (micropore). Qualquer que seja o dreno utilizado, a região operada deve ser lavada com água e sabonete diariamente. Normalmente, não é necessário colocar qualquer outro medicamento na ferida cirúrgica. Nessa fase, a paciente deve estar usando antibióticoterapia oral. O curativo de gaze e esparadrapo também deve ser trocado diariamente. A secreção eliminada pelo dreno deve ser observada pela paciente. Quando se usa a bolsinha, a secreção deve ser medida antes do esvaziamento e os dados, anotados, devem ser levados ao médico na próxima consulta.

Nas pequenas cirurgias, basta observar a quantidade de líquido eliminado na gaze do curativo. Quando a quantidade de sangue for muito grande, a ponto de encharcar o curativo várias vezes ao dia, a paciente deve se comunicar com o médico. Um top de lycra bem justo é excelente para ajudar na prevenção de hematomas, além de fixar as mamas, diminuindo a dor. É comum que nos primeiros dias em casa a paciente sinta dor na região do corte. Essa dor é leve, tolerável e pode ser eliminada com medicamentos comuns contra dor, prescritos pelo médico. Nos casos de mastectomia, toda a região da cirurgia fica dormente, o que melhora lentamente.

Em geral, o período até a retirada do dreno – que é feita pelo médico – transcorre sem problemas. O importante é estar atento à quantidade de secreção sanguinolenta eliminada, que não deve ser muito grande (menor que 150 ml/24h) ou ao aspecto e odor da secreção, que normalmente é fluida e não deve ser amarela espessa (purulenta) ou mau cheirosa. Dores muito fortes ou febre não são esperadas. No caso de qualquer uma dessas intercorrências, a paciente deve comunicar-se com o médico. Os drenos simples são retirados no máximo em 2 dias, mas aqueles a vácuo podem ficar de uma semana a um mês, dependendo da drenagem. Devem ser retirados quando drenarem menos do que 20 ml em 24h.

É importante lembrar que, mesmo com o dreno, é preciso movimentar o braço do lado operado, especialmente após cirurgias com esvaziamento axilar ou biópsia do linfonodo sentinela. Nesses casos, embora não seja possível retomar imediatamente todos os movimentos na amplitude e intensidade habituais, a paciente deve fazer exercícios leves com o braço, logo no primeiro dia após a cirurgia, como por exemplo, apertar uma bolinha de borracha, fazer movimentos de pentear os cabelos cuidadosamente e uma série de outros, à medida que se recupera. Esses exercícios feitos de maneira adequada e progressivamente evitam sequelas futuras, como a fibrose, que provoca restrição de movimentos e linfedema (inchaço do braço do lado operado). A orientação deve ser feita por fisioterapeuta especializado ou mesmo pelo médico. O ideal seria que todos os pacientes tivessem oportunidade de um acompanhamento com fisioterapeuta especialista nessa área. A drenagem linfática feita adequadamente e no momento oportuno previne o linfedema. Os pontos podem ser retirados a partir de uma semana da data da cirurgia. Nas grandes cirurgias são retirados aos poucos, de forma intercalada.

 
Lembrete: A radioterapia nunca deve ser iniciada antes da retirada dos pontos ou drenos.

No próximo texto: Reconstrução mamária após o tratamento cirúrgico do câncer de mama.

Enquanto isso, continuo à disposição para retirada de dúvidas e aberta a novas sugestões.

Um grande abraço,

E até lá!

Patrícia Teresa Valentini de Melo


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